A História do Ocidente - um soneto de Bruno Tolentino


O ocidente se fez de abraçar a agonia,

o temporal: pela paixão, rumo ao sudário,

foram passando a insurreição do imaginário

e essa acumulação de tudo, Alexandria,


que o ser vislumbra e especifica. A confraria

dos seus pedaços recolados ao contrário,

sempre do avesso, contra um fundo sempre vário

e sempre uno de vitral de epifania,


é o que Ocidente chama História e entregaria

ao seus profetas e poetas perdulários,

mas conscientes. E de quê? De que surgia


entre os braços vazios que há em toda agonia,

conjunção do banal e do extraordinário,

a Cruz, sinal de mais, calvário após calvário.


Bruno Tolentino



Neste poema, Tolentino apresenta a imagem da história do ocidente, uma história de agonia, dominada pela paixão, um longo caminho rumo ao sudário. O sudário é a referência ao Cristo. O poeta coloca toda a história do ocidente como um caminho que tem no fim o cristianismo. Na visão de Tolentino, a história seria formada por peças coladas ao contrário, sempre ao avesso. Estaria aí o esforço de seus intérpretes em retratar a realidade segundo suas próprias visões, provocando uma distorção da realidade.

Fala de seus profetas e poetas perdurários. Seriam os que influenciaram a humanidade com suas idéias? Profetas porque se colocaram na posição de prever o futuro, poetas porque tinham o dom da escrita. Estaria falando de gente como Rosseau, Nietzshce, Marx? No entanto estes homens seriam conscientes. Conscientes de que surgia em cada agonia a imagem de braços abertos, a imagem do Cristo. Fala na conjunção do banal com o extraordinário, o que mais representativo do que um carpinteiro que na verdade era rei do mundo?

Por isso Tolentino chama-os de perdurários. Acredita que sabiam muito bem sobre o cristianismo, mas recusaram a aceitar este fato. Reinterpretaram a história e o mundo segundo suas conveniência, segundo seus radicalismos. É o mundo como idéia e não como realidade. E uma idéia é sempre a exclusão de tudo mais.

A salvação está no cristianismo, justamente por ser uma doutrina que inclui, como lembra o poeta ao falar no sinal de mais. Não é um caminho fácil, é construído calvário após calvário, como termina o poema.


u© MARCOS JUNIOR 2013