A Procura da Felicidade

Título Original: The Pursuit of Happyness 

Elenco: Will Smith (Chris Gardner), Jaden Smith (Christopher), Thandie Newton (Linda)

Direção: Gabriele Muccino 


"It was right then that I started thinking about Thomas Jefferson on the Declaration of Independence and the part about our right to life, liberty, and the pursuit of happiness. And I remember thinking how did he know to put the pursuit part in there? That maybe happiness is something that we can only pursue and maybe we can actually never have it. No matter what. How did he know that? "


Chris Gardner está à beira do abismo. Investiu suas economias na venda de um caro aparelho médico que não vale o custo-benefício. Vive no limite da pobreza, deve impostos, multas de estacionamento e precisa vender duas unidades por mês para sustentar a família. Sua esposa o abandona e fica só, com um filho de 5 anos.

Só que em vez de ficar reclamando da vida, colocando a culpa nas injustiças sociais e no mundo, decide ir a luta. Confia no seu talento para lidar como pessoa e sua inteligência. E aí temos algumas diferenças para o discurso politicamente correto.

Os "vilões" aqui não são os grandes empresários; ao contrário, estes dão uma chance para Chris. Um estágio não renumerado de 6 meses com um pequena possibilidade de contratação ao fim do programa. É o que basta para ele; o problema é sobreviver estes 6 meses com as poucas unidades de scanner que resta para vender.

Mas existem alguns vilões na estória. Um casal de hippies rouba um de seus aparelhos mesmo não tendo a menor idéia do que fazer com aquilo. E os impostos. Estava no início da era Reagan, onde uma pesada herança de intervenção estatal dava seus sinais de esgotamento. Uma cobrança de impostos atrasados o deixa falido, passa a viver em abrigos e chega até a dormir no banheiro de uma estação de trem.

É um filme de superação, de persistência. Luta contra o tempo, correndo de um ponto a outro da cidade em uma seqüência interminável de ônibus e metrôs. Sua meta: chegar ao fim do dia. Nunca desanima, estuda, cuida do filho como pode, chega a não tomar água no estágio para evitar ir no banheiro e perder preciosos minutos que podem lhe garantir a vaga.

Uma das cenas emblemáticas é quando vê um homem estacionar uma ferrari. Não existe revolta em Chris, nem inveja, o que surge é a admiração. Pergunta o que precisa fazer para conseguir uma dessas, e o homem diz que é corretor de ações. Com um sonho em mente, parte para realizá-lo. É o retrato de uma pessoa que não busca culpas em seu fracasso, mas formas de superá-lo.

É lugar comum colocar no capitalismo a culpa da desigualdade do mundo, da pobreza. Na América Latina então, falar o contrário é quase um crime. O problema é que a desigualdade sempre existiu na história da humanidade, o que não existia era uma chance de saída.

O homem não inventou nada melhor do que o capitalismo para produzir riquezas, e produz o suficiente para possibilitar uma evolução social. Pode não ser um enriquecimento, uma ferrari, mas a chance de conseguir sair de uma situação como a de Chris existe. Dois fatores influem diretamente nestas chances: a educação e a dedicação. São as armas que Chris utiliza para se tornar um corretor famoso em sua época (o filme baseias-se em fatos reais).

Uma lição para o homem moderno, seja de que extrato social for. Não vai ser a reclamação constante, a busca de culpados, o ódio ao mundo que irá salvá-lo, mas sua capacidade de aproveitar as chances que a vida lhe reserva.

(outubro 2007)

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