Amor a Tarde(1972) - Eric Rohmer


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Frederic, bem casado, com um filho pequeno e outro a caminho, que leva uma vida sossegada com uma rotina bem construída. Gosta de passear por Paris na hora do almoço e imaginar romances com as mulheres que vê nas ruas, tudo no mundo das idéias. Considera-se apaixonado pela esposa e jamais deu um passo na direção da infidelidade; na verdade, julga-se incapaz de trair.


Uma das coisas que o cristianismo ensinou foi que é o homem que não teme o pecado o mais vulnerável. Um dia uma ex-namorada de um amigo aparece em sua vida e tornam-se amigos. Frederic começa a gostar de um pequeno jogo de sedução entre eles, talvez envaidecido pela atenção de uma linda mulher.


Quantos homens não passam por dilemas semelhantes? A fidelidade, sem tentação, é muito mais fácil. E quando estamos diante de uma possibilidade de fato de cair que nossa virtude é posta realmente à prova. O homem prudente foge das tentações. Frederic confia em si mesmo e este sempre foi uma porta de entrada para o mal no coração dos homens.


Não é difícil advinhar que logo ele se encontra no dilema da traição. Em um diálogo memorável, pergunta à Chloe se era possível um homem amar duas mulheres ao mesmo tempo. Não foi a primeira vez que escutei a mesma pergunta na minha vida. O que quer Frederic? Uma resposta ou uma justificativa?


Para facilitar, ou complicar, Chloe deixa claro que a decisão é inteira dele e que ela não pretende criar a menor complicação para sua vida. Que ele poderia procurá-la quando desejasse.


Sob esta premissa simples, Eric Rohmer aborda um tema recorrente em sua obra, a fidelidade. Só depois da morte deste grande cineasta francês fui começar a conhecer sua obra, segundo dica da revista Dicta. Até hoje não me deram uma só furada!

u© MARCOS JUNIOR 2013