Avatar (2009) _ James Cameron

Eu juro que tentei assistir Avatar sem levar em conta a pobreza da estória mas descobri que isso era praticamente impossível. O filme tem um enorme problema de verossimilhança, um erro fatal para qualquer obra de arte, como Mario Vargas Llosa já tratou muito bem em seu "Cartas a um Jovem Escritor". Para que uma estória funcione, você tem que acreditar que é verossímil, o que não significa necessariamente que seja real; apenas que possa ser imaginada como se fosse.


Quando se assiste um filme como Guerra nas Estrelas, você é capaz de ver verossimilhança. Amor, opressão, luta pela liberdade, honra, traição, amizade. São representações baseadas na experiência da realidade, muitas delas copiadas _ como o devido crédito _ por George Lucas do mestre Kurosawa. Sim, você assiste monstros intergaláticos lutando entre sim em batalhas que desafiam as leis da física, mas a estória encontra eco no mundo real. Basta lembrar do senado intergalático dando poderes absolutos ao imperador para combater uma rebelião que ameaçava a unidade do império, uma revolta orquestrada por ele mesmo. De onde sai a talvez melhor fala dos seis filmes, proferidas pela senadora Amidala:


__ Então é assim que acaba a liberdade. Sob aplausos.


Quer dizer que devemos sempre assistir um filme sob o ponto de vista ideológico? Não, posso considerar um filme bom independente da ideologia contida ou a intenção do autor. O que não consigo é achar um filme bom quando a verossimilhança se perde. Por isso gosto de filmes baseados em Stephen King, Guerras nas Estrelas e tantas outras obras de ficção científica e não consigo assistir duas vezes bombas que tentam forçar um realismo inexistente.


Avatar só escapa no meio do quantidade assustadora de bobagens por causa da tecnologia. Mais uma vez Cameron inova ao incorporar de fato o 3D como instrumento narrativo. Já tinha conseguido antes com o realismo grandioso e extraordinário de Titanic. O problema é que neste caso, apesar de um sugestão de luta de classes facilmente dispensável, havia uma estória verossímel, o amor entre duas pessoas de origem social distintas, o que já rendeu obras extraordinárias. No caso de Avatar, não sobra nada. Cameron poderia ter entrado novamente para a estória se tivesse caprichado pelo menos um pouquinho no roteiro e na estória, preferiu jogar todas as fichas no apelo fácil dos temas progressistas. Exagerou demais na dose.


Como o tempo, outras estórias irão ser filmadas com a tecnologia que ajudou a desenvolver e seu filme ficará na mediocridade de uma obra que poderia ter sido um verdadeiro marco em termos de qualidade artística. Não deve demorar, é possível que Tim Burton e seu Alice coloquem Cameron no patamar que merece pelo filme que produziu, que só escapa de ser uma bobagem completa pelos extraordinários efeitos. Uma pena.

u© MARCOS JUNIOR 2013