Band of Brothers

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Band of Brothers é uma das melhores obras já produzida pela televisão. A saga de uma companhia de paraquedistas americanos na segunda guerra mundial é um espetáculo artístico, um convite à reflexão e uma constatação da insanidade humana.

Os soldados da Companhia Easy são pessoas comuns que saíram de suas casas para enfrentar o horror dos campos de batalha da II Guerra Mundial. São pessoas com virtudes e falhas, capazes de amar e odiar. Na guerra encontram o palco para mostrar com intensidade o que são capazes, para o bem e para o mal.

Ver as paisagens maravilhosas da Europa serem devastadas pela matança generalizada é de estarrecer. Como chegamos a este ponto? Como foi possível que todo aquele terror acontecesse? Como foi possível viver no meio daquele caos?

Band of Brothers tem o mérito de não se prender a nenhum personagem, todos são heróis e vilões, todos são absurdamente humanos. O desespero em ver um companheiro atingido, a capacidade de enfrentar seu próprio medo para salvar uma vida, a luta moral contra o ódio que tenta tomar conta da própria alma, a melancolia dos fugazes momentos de paz no meio do conflito. Tudo isso é mostrado com rara beleza. Assim como a insanidade.

Algumas cenas ficam para sempre na memória. Um soldado desesperando cavando um buraco na neve para se esconder durante a pausa dos bombardeios de Bastogne, o desespero de um jovem médico em conseguir suprimentos no meio do combate, uma delicada estória de um amor impossível em um hospital militar, o colapso de um líder diante da perda de seus subordinados. Como não se comover com músicos alemães tocando Beethoven no meio de uma cidade devastada? Ou com a constatação do horror nazista dos campos de concentração?

Até a volta para casa é penosa, como retomar uma vida normal? Como esquecer um horror de tamanha intensidade? Como entender até que ponto o homem é capaz de chegar? Como entender uma maldade sem limites?

Band of Brothers não é uma estória de guerra. É uma estória do ser humano. É uma estória daqueles que pagam o preço da insensatez de outros, de pessoas comuns que tentam sobreviver no horror. Mostra o preço que se pagou para reconquistar uma liberdade perdida, para enfrentar a vontade de poder que levou um povo, o mais civilizado da Europa, a acreditar que tinha a chave para uma nova sociedade.

Aqueles homens que pisaram no solo europeu para defender um princípio são heróis, independente do que fizeram. São heróis por terem enfrentado algo inimaginável. Um dos personagens pergunta no final como conseguiria transmitir o que tinha passado. Como explicar para quem não tinha estado lá? Como fazer alguém entender o que só pode ser vivenciado?

Ao final, o verdadeiro Winters conta que uma vez seu neto perguntou se tinha sido um herói. Respondeu que não, mas "que tinha servido em uma companhia de heróis". Esta é a estória de Band of Brothers, de uma companhia de heróis.


u© MARCOS JUNIOR 2013