Her Best Move - 2007


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Eu terminara de ver meus dois capítulos diários de Two And a Half Man quando procurando por um filme para assistir peguei este começando. Para começar antipatizei logo com o título e pensei comigo: mais um filme americano de garotas jogando futebol __ parece que lá o "soccer" virou realmente um esporte feminino. Mas resolvi ir em frente e assistir pelo menos o início.

Confesso que me surpreendi, positivamente. Só agora fui ver o título original e ter noção da aberração que foi a escolha do título nacional, como eles conseguem escolher tão mal? Sim, Sara é boa no futebol e isso é seu grande problema, o que já é uma diferença e tanto para os filmes "adolescentes esportivos" americanos. Na verdade ela representa uma grande dilema de muitos jovens de hoje.

Além de gostar de futebol ela gosta também de dança, de ficar com uma amiga e para complicar começa a namorar (ainda se usa esta palavra?). Como conciliar tanta coisa diferente? Para tornar mais difícil a escolha ela é melhor justamente na atividade que talvez não seja a que goste mais, o futebol. A grande questão é que seu talento faz com que tenha que se dedicar muito ao esporte para atingir uma nível elevado para conseguir uma vaga no time nacional. Para uma menina de 15 anos com certeza é um comprometimento e tanto.

A partir daí se desenvolve os conflitos de Sara. Como conseguir tempo para tantas coisas que gosta de fazer? Vai ficando claro para ela que é preciso estabelecer prioridades, o que nem sempre é uma coisa fácil.

Em uma das melhores cenas do filme, a companheira de time e que está disputando a vaga com ela faz um gol da vitória. Todas correm para comemorar com ela, menos Sara que fica desolada no meio do campo. Seu pai, obsecado por vê-la na equipe nacional, fica furioso chutando latas no gramado. A equipe vencera mas para Sara e o pai era uma derrota pois a outra saíra-se melhor.

Vendo este filme fico pensando nas crianças que mostram talento em um esporte e passam a desenvolver treinamentos exaustivos. Alguma chegam às Olimpíadas, ganham medalhas, mas a que custo? O que deixaram para trás para conseguir estes objetivos? Em um diálogo o pai diz a ela que pode deixar a dança e os garotos para depois, agora tinha que se concentrar no futebol.

Não temos como recuperar o que ficou para trás. Não temos como voltar para nossos 15 anos; a vida é melhor aproveitada devagar, sem pressa. A modernidade nos leva a uma velocidade tão grande que ficamos sem referências, sem entender e curtir os pequenos momentos de nossas vidas. Não é a toa que os consultórios de terapia estão cada vez mais cheios. Falta tempo até para pensar.

O filme tem aqueles exageros normais de produções esportivas americanas mas não chega a comprometer. Garanto que 90% dos garotos de hoje que assistiram este filme não compreenderam bem o que estava em discussão, mas talvez tenha acendido neles um sinal de alerta. Quantas Saras existem em cada um de nós?

Eu tenho uma, e estou tentando lidar com ela. Não é fácil, existe tanta coisa que gosto de fazer, tantas possibilidades neste mundo louco. Como estabelecer prioridades e como descartar algumas? Sim, sinto que preciso deixar de fazer algumas coisas que gosto, como já deixei algumas para trás, como jogar xadrez por exemplo.

Um bom filme para quem consegue parar e pensar sobre este dilema. Vale a pena.


u© MARCOS JUNIOR 2013