O Filme dos Espíritos (2011)

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A mais antiga das questões: a morte.

Já foi dito que a questão filosófica mais importante é a morte. E como lidamos com ela. Por mais que se avance nos mais diversos campos, a questão ainda aflinge a maioria das pessoas: a morte é inevitável.

Normalmente a relação do homem com a morte se dá pela religião. Considerando que a religião expressa a nossa visão do mundo e que as explicações para a morte estão diretamente relacionadas com a visão que se tem da existência e de seu fim, o encontro é inevitável. E normalmente trágico.

A pergunta que o filme coloca é simples: se Deus existe e é soberanamente justo e bom, por que nos deixa morrer? Ou melhor, por que aparentemente a morte leva as pessoas sem nenhum motivo aparente? Por que pessoas boas morrem? Por que o homem sofre?

Essa questão fundamental, da relação da morte com a justiça divina atravessou a história da humanidade. A resposta que o filme coloca, já expressa no título, é a doutrina espírita; ou mais precisamente, a crença da reencarnação.

A visão tradicional cristã da existência após a morte pode dar um consolo para a expectativa de nossa própria morte ou da partida de um ente querido, mas claramente deixa lacunas importantes sobre a justiça de Deus. O grande problema é o julgamento único e definitivo que leva o homem para a solução eterna: céu ou inferto, ou mesmo o purgatório.

A resposta vinda dos espíritos, colocadas por Allan Kardec no Livro dos Espíritos, é que o homem vive muitas vidas e seu objetivo é um só, sua melhoria, a tal reforma íntima pregada por Jesus. 

E em torno dessa mensagem que o filme se desenvolve em torno de vários personagens, todos lidando com a perda pela morte e o inconformismo com essa situação. O personagem principal, Bruno, enfrenta a dor da perda da esposa e a aparente injustiça de seu fim trágico. Outros personagens passam por situações semelhantes. A dor está por toda parte.

O filme foi muito bem costurado, com trilha sonora excelente, e uma sucessão de cenas que mostra que com talento é possível fazer um bom filme com recursos limitados; uma boa estória sempre terá apelo. Uma lição que o cinema de hoje parece ter esquecido completamente.


Outubro, 2011

u© MARCOS JUNIOR 2013