Say Anything (1989)

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Cameron Crowe soube contar estórias de adolescentes como poucos. Fugindo dos estereótipos comuns das comédias românticas, o diretor usou da sensibilidade para traçar o perfil da juventude, particularmente de Seattle, na passagem dos anos 80 para os anos 90.

Lloyd é um rapaz que termina o colegial e encontra-se perdido como quase todos. Sonha em ser lutador de um novo tipo de arte marcial que estava surgindo, o Kikboxing. Vivendo com a irmã, mãe solteira, vive sua vida com extrema honestidade. Apaixonada pela melhor aluna de sua turma, resolve fazer o mais simples e óbvio, ligar para ela e convidá-la para sair. Nada de planos mirabolantes ou coincidências incríveis, simplesmente pegou um telefone e ligou para Diane.

Diane é a melhor aluna e oradora da turma. Nas mãos da maioria dos diretores, seria a "popular girl", nas mãos de Crowe é uma desconhecida pelos próprios colegas. Dedicada ao estudo e a construção de seu futuro, não chegou a fazer um único amigo de verdade na escola. Quando perde a virgindade não tem uma única colega para compartilhar, apenas o pai. Angustiada mas sem saber porque, é assim que Diane se encontra quando recebe o telefonema de Lloyd.

Na festa que vai com Lloyd, já no fim, uma amiga dele pergunta a ela: por que saiu com ele? Ela responde sem pensar: ele me fez rir. Parece banal, mas para aquela menina que vive uma vida planejada nos mínimos detalhes é algo quase inacreditável, encontrar alguém que a faça rir.

James(o excelente John Mahoney) é o pai de Diane. Um pai super protetor, que vive em função da filha. Novamente fugindo ao padrão, nada faz para afastar a filha do genro que considera inferior além de dar seus conselhos. O problema é que começa a ser investigado por fraude contra os idosos que cuida em seu asilo. James vive em uma realidade onde possui o direito de usar o dinheiro deles para assegurar o futuro da filha, acreditar realmente que nada fazia de errado.

É assim que Crowe constrói uma bonita estória de amor que prima pela vorossimilhança. De quebra ainda conseguiu uma imagem para entrar para a história do cinema, a de John Cusack fazendo uma serenata com uma estéreo.

u© MARCOS JUNIOR 2013