The Prestige (2008)

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Em Londres do século XIX dois mágicos iniciantes tornam-se rivais à partir da morte da esposa de um deles. Nolan conta, com a maestria que lhe é particular, o desenvolvimento desta rivalidade, que chega às últimas conseqüências. Jackman tem grande atuação, conferindo credibilidade ao atormentado Robert Angier. Destaque também para os coadjuvantes, com o ambíguo Cutter de Michael Caine e, principalmente, o inventor Tesla vivido por Bowie. O diretor deixa várias pistas que revelam o grande truque de Borden (Bale), assim como fica mais ou menos evidente o plano de Angier e quem é Lord Caldlow. De qualquer forma um filme excelente, um dos melhores dos últimos anos. 

(Spoiler alert!)

Nolan exagerou de tanta pista sobre o truque do Homem Transportado. Primeiro Bolden revela que seria o único que conseguiria realizar o truque. Depois o truque do peixe dourado, onde Bolden afirma que um grande mágico deve viver seu papel permanentemente para adquirir credibilidade, no caso o velho chinês fingia ter dificuldade de caminhar até fora do palco. No truque do passarinho, o menino pergunta onde está o irmão do pássaro, o que Bolden responde que se tratava de um menino muito esperto. As constantes declarações de Sarah eram ainda mais óbvias. Mas a que foi mais evidente para mim foi a revelação sobre o nó que teria dado a Júlia: eu não sei.

Mas afinal qual o gêmeo que morreu? Tratá-los como Fallon ou Bolden é complicado, pois ambos revezavam-se nos papéis, o certo é que existiam duas personalidades distintas. Bolden-s era o que amava Sarah e pai da menina. Era o engenheiro da dupla, que adivinhava e montava os truques. Bolden-o era o que se apaixonou por Olívia e que tinha obsessão em superar Angier.

Fica claro que foi o segundo que foi enforcado. Bolden-s recomenda a Bolden-o, esqueça, reconheça que Angier fez um truque perfeito. No último diálogo entre os dois, de dentro da cadeia, Bolden-o diz: você tinha razão, eu devia tê-lo escutado.

No confronto final entre Bolden-s e Angier, o primeiro diz: eu amava Sarah, e ele Olívia. Não deixa dúvidas.

Sobre Angier e seus clones, existem duas possibilidades. Ou a máquina transportava o objeto e criava um clone no lugar ou ela criava um clone em outro local. Na primeira hipótese, Angier morreu na primeira utilização da máquina. Na segunda, no primeiro tanque. Por esta linha, o confronto final foi com um clone de Angier.

Poderia a máquina ter algum dispositivo que invertesse o processo, ou seja, ao invés de criar um clone à distância e manter o original no local, fizesse o inverso? Nada no filme aponta para esta possibilidade, e quando Angier afirma sobre o custo de usar a máquina todo o dia e não saber se seria o que cairia no tanque mostra que ele mesmo não sabia quem era o clone.

Levantaram a hipótese de Bolden ter tido esta máquina e tê-la usado. Não acredito. Ao contrário dos clones de Angier, os dos Bolden tinha personalidades diferentes, e bem antes de conseguir qualquer dinheiro já existia Fallon.

De qualquer forma, em um filme sobre mágicos e mágicas, o que é real e o que é ilusão? 

(Publicado originalmente em 2007)

u© MARCOS JUNIOR 2013