The Wonderful Wizard of Oz (1939)

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Buscando o que já possuem

Sócrates recomendava enfaticamente o auto-conhecimento como forma de obtenção da verdade. Entendia que o homem já tinha em si a resposta para os seus questionamentos e que a filosofia nada mais era que um trabalho de parir a consciência de algo que já sabe. O cristianismo seguiu na mesma toada e Jesus basicamente disse o mesmo, a verdade está em cada um de nós. É a incapacidade de olhar para nosso interior que nos leva a um estado de confusão completo que nos impede de atingir as nossas potencialidades. Uma das consquências é a procura por algo externo, muitas vezes alguém poderoso, para nos dar as respostas que queremos ou ainda pior, a solucão para nossos problemas. 

Lançado em 1939, baseado no romance de Frank Baum, com Judy Garland (Dorothy), Frank Morgan (Oz) e Margaret Hamilton (Bruxa do Oeste), The Wonderful Wizard of Oz fala desta incapacidade, do processo de descoberta e da ilusão de um ser salvador imanente. Embora bem sucedido quando foi lançado, ficou longe de ser um grande sucesso, mas só ficou melhor à medida que envelheceu. Perdeu a disputa do Oscar para outro grande clássico, E O Vento Levou.

Todo mundo conhece a história.  Dorothy é uma menina que mora no Kansas. Um furacão a leva para um mundo misterioso e belo, chamado Oz, onde apenas o grande mágico poderá ajudá-la a voltar. Entretanto tem que enfrentar a bruxa do oeste, que tenta impedi-la. Dorothy conta com a ajuda de três trágicos personagens, o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão.

Um filme com excelentes números musicais, destaque para a maravilhosa Over the Rainbow, eternizada por Garland,então com 16 anos e que dá show ao criar uma Dorothy que combina inocência com um senso comum apurado, sem parecer piegas ou irreal. Outra atuação inesquecível é a de Hamilton. Sua bruxa do oeste virou a referência para tudo que se fez até hoje. Se existe uma "bruxice", foi ela quem a criou!

O filme foi inovador também nos efeitos visuais incríveis para a época, introduzindo as cores no cinema. Ao contrário do que aconteceu com Avatar (para mim o pior filme de todos os tempos), a nova tecnologia serviu de suporte para uma boa história e a potencializou, criando um constraste entre a realidade e a fantasia. 

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A Bruxa. O resto é imitacão. Fly my pretties, fly!

 Não esperava que se ressaltasse o filme como uma fábula econômica, coisa que poucos que leram o livro conseguem perceber, mas uma parte essencial da obra de Baum ficou de fora. No livro fica bem mais claro que o espantalho, o homem de lata e o leão já possuem o que perseguem, coisa que não acontece no filme; o espantalho ainda tem a iniciativa das idéias, mas o homem de lato não apresenta sua grande emotividade (passa o livro chorando por tudo) e o leão sua coragem (mesmo tremendo de medo, enfrenta todos os inimigos na linha de frente). Nesse aspecto o filme falha na adaptação deixando de lado uma das premissas da história.

Outro aspecto que ficou pouco claro no filme foi o do questionamento da ilusão que temos que um ser especial pode resolver nossos problemas ( o mágico de oz simboliza o presidente da república, que na maioria das vezes se comporta como um ilusionista, que faz efeitos mas não tem a capacidade que se espera dele). Seu tratamento é bem mais simpático no filme, deixando de lado o questionamento sobre o direito que ele possuei de criar tal ilusão na população.

Sem dúvida um clássico do cinema. Em mãos um pouco mais inspiradas e com poucos ajustes poderia se tornar um dos maiores, ou mesmo o maior, filme de todos os tempos. Mesmo assim a obra tem força para se manter por suas próprias pernas e ser até hoje uma das referências do cinema. Magia pura.

Recomendo para qualquer público com um mínimo de sensibilidade. 


u© MARCOS JUNIOR 2013