12 x 5 - The Rolling Stones (1964)


A história do segundo album dos Stones nos Estados Unidos começa em Agosto de 1964, quando lançam o EP 5 x 5 na Inglaterra. Havia na época um descompasso entre os mercados britânico e americano. Enquanto na ilha predominavam os singles e EPs, no continente do Tio Sam o LP já reinava absoluto. Isso gerava uma necessidade de adaptar os lançamentos do outro lado do Atlântico, ou o lado errado, como gosta de dizer José Damiano, do Poeira Cast. Foi dessa forma que as cincos músicas do EP receberam mais 7 e formaram então o 12 x 5, lançado em outubro de 1964.

Talvez a melhor descrição para o album seja os Stones apresentando suas raízes, antes de começarem a formar seu estilo próprio. E o fizeram com rara competência. Como era comum na época, os primeiros albuns de uma banda tinham no máximo meio lado de canções autorais. Possivelmente porque a preocupação era realmente gravar singles, sendo os EP e LP complementares, em que as bandas recheavam com covers por serem mais práticos de gravar, aproveitando o repertório que exibiam nos palcos antes da fama. O lado bom disso tudo é que temos a oportunidade não só de entender as influências das grandes bandas dos anos 60, mas também conhecer grupos e músicas quase desconhecidas pois ainda tinha esse detalhe: normalmente as bandas gravavam canções mais obscuras de seus grandes ídolos.

12 x 5 tem um conjunto de interpretações primorosas dos Rolling Stones. Destaque absoluto para a primeira versão que gravaram de Time is on My Side, da cantora de Nova Orleans Irma Thomas, e o blues com pitada de country It’s All Over Now, dos Wormaks, primeiro número 1 dos Stones na Inglaterra.  Destaca-se também o enérgico cover de Around and Around do Chuck Berry e o blues puríssimo Confessin’ the Blues, de Jay McShann, um hit dos anos 40. Acredito que seja nessa gravação que Jagger começou realmente a se firmar como um dos cantores definitivos da história do rock. Tem também o soul de um ainda quase desconhecido Wilson Picket, uma balada em uma interpretação para lá de caprichada da turma. Outro ponto interessante é o dueto de Jagger com a banda em Under the Boardwalk, dos Drifters, com Jagger fazendo a segunda foz em resposta ao coro. Primoroso. O ponto baixo dos covers fica para Susie Q, um tanto apressada e sem muito a acrescentar. 

Do material próprio, as primeiras composições de Jagger/Richards, pois no primeiro album só tinha uma original. Saem-se muito bem com Empty Heart, onde observa-se uma nítida inspiração para os Yardbirds, versão Jeff Beck, com sussurros sensuais de Jagger e tudo, e na blues Jam 212o South Michigan Avenue - Long Version. Para quem não sabe, era o endereço da mítica Chess Records em Chicago. Prestem atenção na batera de Charlie Watts (uma de suas melhores performances) e o baixo simplesmente sensacional de Bill Wyman. Grow up Wrong é uma daquelas que serve como experimentação, de ponto de referência para um nível bem melhor de composição. Congratulations e Good Times, Bad Times não comprometem. 

12 x 5 é um baita disco. Consegue não só capturar as influências da banda, principalmente o blues, mas passando por rockabilly, country e soul, mas mostrar como Jaggers e Richards estavam misturando isso tudo no que seria o estilo próprio dos Rolling Stones, especialmente na sua versão primeira com Brian Jones, o blues rock. Se o primeiro album despertou a curiosidade, é no segundo que os Stones se apresentaram de verdade e declararam: viemos para ficar.  

u© MARCOS JUNIOR 2013