Piece of Mind (1983) - Iron Maiden

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O album da consolidação

O Iron Maiden foi uma dessas bandas que já começou bem desde o primeiro album, o homônimo de 1980. A partir daí foi em um crescente, encorpando e adicionando sutilezas, sem perder a energia. Se começou com uma banda com influências nítidas do punk, principalmente na agressividade, aos poucos foi caracterizando melhor seu estilo próprio e pode-se dizer que esse processo se consolidou completamente no quarto album, Piece of Mind. Até porque foi a última substituição de integrantes até chegar na formação clássica, que dominaria o mundo do heavy metal na segunda metade da década de 80, pelo menos até a infeliz saída de Bruce Dickinson no início dos anos 90. O domínio da banda foi tamanho que houve fãs que exageraram a ponto de considerar tudo o mais irrelevante e gerar uma antipatia por parte do público ao Iron Maiden, mas essa é outra estória.

Em Piece of Mind entrava a última peça do quinteto que marcou o Iron Maiden. Uma troca delicada pois Clive Bur trazia muita energia  e era uma figura rocker por excelência. No seu lugar um baterista mais técnico, com mais recursos e sobretudo mais profissional. Bandas como Iron Maiden não se consolidam no mercado sem muita dedidação e planejamento. À semelhança de Paul Di'ano, Burr não entendeu onde a banda estava chegando e o crescente grau de comprometimento que todos deveriam ter a cada turnê. Os dias de amadorismo tinham passado, o Iron queria ser uma das grandes. Talvez por isso a abertura do disco tenha ficado com Where Eagles Dare, um show à parte de ritmo, técnica e energia de Nicko McBrain. A banda dava um recado para seu público: sabemos o que estamos fazendo. Não demorou muito para Nicko se tornar quase um símbolo do novo Iron e não ficaram muitas viúvas do infeliz Clive Burr para lamentar. 

Com Revelations, a segunda faixa, mais um recado do Iron. A banda tinha variação, não iria apostar só na velocidade. Riffs primorosos, uma marcha com tema épico, dedilhados de guitarra, versos de G. K. Chesterton, uma faixa emblemática, quase antecipando o que viria no album seguinte, além de ser a primeira grande composição de Bruce Dickinson, depois de um album composto quase inteiramente por Steve Harris. 

Outro grande hit da banda, tocada nos shows desde então, é The Trooper, com seu inesquecível riff de abertura, uma faixa que ultrapassaria as próprias fronteiras da banda. Contrariando os refrões marcantes, uma influência do Thin Lizzy, dessa vez um coro de "ôooo" consegue virar marca registrada sem nunca enjoar, como aconteceria futuramente em Heaven Can Wait. 

A parte final do disco, a partir de The Trooper, tem um tom mais intimista, ficando fora dos shows da banda, mas nem por isso pode-se dizer que trata-se de uma queda de qualidade. Still Life e To Tame a Land são canções mais consistentes e inspiradas do que, por exemplo, Flight of Icarus, uma música um tanto quanto superestimada. A banda derrapa um pouco, entretanto, em Quest of Fire e Sun and Steel, talvez as mais fracas da trilogia The Number - Piece of Mind - Powerslave.

Piece of Mind é sem dúvida um dos grandes discos do Iron Maiden, que faz a ligação entre uma fase que a banda ia se ajeitando e se adaptando ao sucesso para o Powerslave, o disco que colocou definitivamente a banda no panteão das grandes. Se este album foi a consolidação do som da banda, Powerslave, o seguinte, seria o da conquista. O Iron Maiden seria sempre lembrado como uma das grandes bandas do metal, aliando como poucas todo um marketing profissional com a qualidade das músicas. Houveram grandes bandas que não tiveram divulgação à altura, assim como tvieram outras que os aspectos extra música estiveram acima do que  a banda de fato produziu. O iron foi aquela que teve a produção à altura da qualidade da banda. A aliança de talento e de profissionalismo. Piece of Mind consolidou esse conceito. 

 

u© MARCOS JUNIOR 2013