Roll The Bones (1991)

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Os anos 80 foram complicados para os canadenses do Rush. Depois do grande sucesso de Moving Pictures (1981), Geddy Lee resolveu mudar sua direção artística e privilegiar os sintetizadores, em alguns momentos liderando, a tendência da época que marcou o rock nessa década. Na verdade, as grandes bandas dos anos 70 ficaram meio perdidas no ambiente cultural da nova década e andaram buscando uma nova identidade. Particularmente, eu tenho uma teoria. Quando estouraram Nirvana e o Guns, fazendo justamente o som que estas banda tinham deixado para trás, elas perceberam que o desejo por um som mais "moderno" era mais produto de suas imaginações do que um desejo do público. Era hora de corrigir rumos.

Para o Rush, esta correção começou depois do lançamento do ao vivo Show of Hands, que marca o registro da época dos sintetizadores. Em 1989, Presto começa a dar a volta aos rock que marcou a banda. Em 1991, veio o Roll The Bones e a prova que o Rush tinha voltado ao seu verdadeiro caminho.

O disco é excelente. Desde os primeiros acordes de Dreamline já se percebe que o rock voltava a circular nas veias de Lee e cia. Bravado é uma beleza só, com Peart mais uma vez mostrando como colocar magistralmente uma bateria em uma música mais lenta. Roll the Bones mostra que a introdução de novas tendências deve ser feita como experiência de laboratório, em ambiente controlado e em pequenas doses. Se em The Spirit of Radio já tinham acertado no Reggae, Tom Sawyer nos sintetizadores _ sim, eles! _ agora era a vez de um trecho de Rap que cai muito bem na faixa. Ponto para Lee!

Destacam-se também as excelentes Heresy, Big Wheel e Ghost of chance. Peart estava inspiradíssimo nas letras tratando sobretudo da morte e suas incertezas. Volta ao tema da liberdade de escolha que já tinha abordado em Freewill. E nos traz versos como "Well, who would hold a price/On the heads of the innocente children/If there's some immortal power/To control the dice?".

Em Heresy, mostra que é um atendo observador da conjuntura política percebendo o que viria a seguir da queda do muro de Berlim:

The counter-revolution

People smiling through their tears

Who can give them back their lives

And all those wasted years?

All those precious wasted years

Who will pay?


Era bom ver o Rush retornando aos trilhos.


u© MARCOS JUNIOR 2013