The Who By Numbers

Lançado em 1975, depois dos ambiciosos Tommy e Quadrophenia, trata-se do mais introspectivos dos trabalhos do Who. O guitarrista e compositor Pete Townshend despeja um conjunto de canções pessoais resultando em um album um pouco diferente dos demais, mais obscuro e praticamente não inserido nos shows, com excessão da maravilhosa Dreaming From The Waist.

Roger Daltrey mostra-se cada vez melhor como cantor e John Entewistle no baixo e Keith Moon na bateria são a cozinha do rock por excelência, até hoje nunca igualados.

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Pete trata do seus problemas com alcoolismo de forma tão pessoal em However Much I Booze que Daltrey se recusou a cantá-la e o próprio guitarrista desfila versos como "Then the night comes down like a cell door closing".

Em Imagine a Man e Slip Kid ele mostra a angústia da indústria do rock, se ver envelhecendo no processo e se tornar uma paródia de si mesmo.

Pete também canta solo com apenas com uma guitarra havaiana em Blue Red And Grey. Até que ponto as amizades são verdadeiras é a questão na linda How Many Faces: "How many friends have I really got? That love me, that want me, that'll take me as I am?".

Squeezy Box foi uma brincadeira de Pete com acordeão e acabou no disco contra sua vontade. Para surpreza geral chegou a número 16 na Billboard e permaneceu na lista dos 100 melhores singles por 16 semanas estabelecendo o recorde da banda.

O clima pessoal e intimista do album só é quebrado pelo poderoso rock Success Story de John onde faz uma crítica da própria história da banda e cai como uma luva na temática do disco.

Um album diferente que mostra porque considero Pete Townshend o melhor compositor que o rock já teve. Apesar de sempre ser colocado de lado diante de tantas obras fantásticas do Who, ainda é muito melhor que quase tudo que foi e é lançado como rock'n'roll.

u© MARCOS JUNIOR 2013