Bento XVI

Bento-XVI


Jesus de Nazaré

Bento XVI faz uma passagem pelos eventos históricos mais significativos sobre a vida de Jesus e os explica a luz da teologia, sem deixar de lado as contradições das diversas interpretações.


Começando pelo batismo, o papa apresenta o significado das diversas atitudes de Cristo, que muitas vezes são deixadas de lado pelas diversas perspectivas isoladas (histórica, cultural, religiosa, etc) que tentam interpretá-Lo. Jesus não pode ser visto apenas por uma ótica pois torna-se incompreensível.


Refuta também o isolamento do Novo Testamento como a fonte única da mensagem cristã. Apresenta diversos exemplos que mostram que o entendimento de Cristo deve-se fazer a luz do Antigo Testamento, sobretudo na narrativa de Moisés, as palavras dos profetas e o Salmo.


Este livro significou para mim o despertar de uma série de questões que podem iniciar um processo investigativo sobre a compreensão da realidade. E o que Bento XVI nos ensina nesta obra? Que Jesus não pode ser visto a partir de uma única dimensão. Ele foi ao mesmo tempo histórico, religioso, cultural, filosófico. Qualquer tentativa de isolar uma destas visões o torna incompreensível pois elas se relacionam e se explicam.


Também despertou-me para a importância do Antigo Testamento, principalmente para os profetas. Li muito pouco pois minha formação católica sempre me apontou mais para os evangelhos e acabei deixando tudo mais de lado, como se o Antigo Testamento fosse mais voltado para os judeus, esquecendo o alerta do próprio Cristo de que não tinha vindo para revogar a Lei, mas para cumpri-la. Tive que recorrer a uma Bíblia para acompanhar as passagens citadas por Ratzinger e, como que por espanto, comecei a entender que a Bíblia é muito mais do que uma narrativa histórica ou uma pregação religiosa, é uma fonte inimitável de sabedoria sobre todos os aspectos da vida humana. Interessante que enquanto lia o livro escutei um comentário que toda a literatura ocidental eram variações e especulações sobre as diversas narrativas bíblicas. Será? Eis outro ponto de reflexão e investigação.


Ler Jesus de Nazaré foi para mim uma experiência reconfortante e um despertar, um chamado a reflexão, coisa que só os grandes livros podem despertar. Talvez Ratzinger seja hoje o homem público por quem tenho mais admiração e este sentimento só aumento a cada texto seu que cai em minhas mãos. Só temo que dentro de uma Igreja com profundos problemas consigo mesma, de revolta contra seu papel autêntico, o papa seja o último suspiro que a liga ao Cristianismo verdadeiro.

u© MARCOS JUNIOR 2013