James Gaardner

A Escolha de Sofia

Um dia uma jovem norueguesa chamada Sofia deparou-se com um envelope remetido para ela com uma única frase em seu interior: quem é você. É o ponto de partido para uma viagem de auto-conhecimento a partir de um curso original de filosofia. Através dele Sofia passa a enxergar o mundo de uma forma inteiramente nova e rica ao mesmo tempo que depara-se com um mistério que poderá explicar muito de sua própria existência. E dentro deste mundo o autor conta o que chamou no sub-título: um romance histórico da filosofia.

A primeira vez que ouvi falar deste livro foi em 1995. Não lembro qual, mas um jornal brasileiro começou a publicar reportagens ou trechos do livro em suas edições de domingo, ou algo assim. Estou sendo vago pelo simples motivo que não prestei devida atenção, muito devido à repulsa que a filosofia me causava na época. Achava-a simplesmente detestável e inútil.

E por muitos anos continuei com a mesma opinião. Até que ano passado resolvi exorcizar meus demônios particulares e, sem preconceitos, dar uma nova chance a ela. O resultado foi que rapidamente fui sendo cativado e hoje estou devorando livros sobre o assunto.

E assim comecei a ler O Mundo de Sofia. Acredito que este deveria ser um livro a ser lido por todo estudante brasileiro, se este gostasse de ler. A esmagadora maioria não gosta e orgulha-se de pegar resumos prontos para apresentar na escola. De forma que para a maioria seria inútil colocar este livro no currículo escolar.

É a porta de entrada para a filosofia. De forma bastante coloquial e agradável o autor apresenta um panorama dos principais pensamentos filosóficos ao longo da história. Mostra como a filosofia pode ter um impacto real em nossas vidas, o que corresponde a minha própria experiência atual.

Em certo momento, logo no início do romance, o autor escreve sobre os filósofos: "eles acham que o ser humano não vive apenas de pão. É claro que todo mundo precisa comer (...) Mas ainda há uma coisa que todos nós precisamos. Nós temos a necessidade de descobrir quem somos e por que vivemos".

E desta forma Gaardner vai apresentando as principais perguntas filosóficas feitas ao longo do tempo e como os principais filósofos a responderam. Assim o mundo alcança outra dimensão para quem pensa nestas perguntas.

Para os que acham a filosofia uma perda de tempo, como eu até bem pouco tempo atrás, o romance recupera uma mensagem deixada por "um dos antigos filósofos gregos" há muito atrás: "a filosofia era fruto da capacidade do homem de se admirar com as coisas".

Mais do que um panorama histórico da filosofia, o romance é uma declaração de amor do autor. Um amor pela existência e por estas perguntas. Um alerta de que a humanidade não é apenas trabalhar dia após dia e conseguir pagar as contas ao final do mês.


u© MARCOS JUNIOR 2013