Lou Marinoff

Mais Platão, Menos Prozac

A Filosofia não deve se resumir a um pequeno mundo inacessível ao público, nas estantes empoeiradas de bibliotecas ou escritórios de alguns pouco estudiosos. Sócrates foi o primeiro a dizer que a filosofia deveria ser prática, aplicada ao cotidiano, promovendo o constante exame de si mesmo.


A velocidade do mundo moderno, a grande quantidade de coisas que as pessoas se propõem a fazer, o materialismo crescente, o consumismo, tudo contribui para uma série de disfunções da pessoa. Os consultórios de terapia nunca estiveram tão cheios, os livros de auto-ajuda nunca venderam tanto; o homem de hoje clama por socorro e nada disso parece suficiente.


Para Marinoff, falta filosofia. Por que não combinar técnicas de terapia, auto-ajuda, psicanálise com exame filosófico? As clínicas de acompanhamento filosófico estão se espalhando pelos EUA e Europa. Muitos dos problemas atuais são da esfera da Filosofia: por que existo? qual o propósito da minha vida? por que sofro?


Marinoff recorre a uma série de casos práticos que chegaram a ele em seu consultório, assim como de muitos colegas, para mostrar que a filosofia, tanto ocidental como oriental, pode e deve ser aplicada para ajudar pessoas que enfrentam com dificuldade muitos problemas que estão em seu campo de atuação.


A proposta de Marinoff é boa, estender a filosofia ao cotidiano das pessoas comuns e mostrar que é uma fonte possível de ajuda. Não vejo com bons olhos esta corrida para consultórios de terapia, auto-ajuda ou mesmo a psicanálise; além do problema da dependência. Talvez muitas pessoas estejam usando seu terapeuta apenas como amigo ou ouvinte, como espelho para a prática da filosofia, mesmo sem saber. Neste caso, não era melhor conversar direito com um filósofo?


A execução da proposta pelo autor, entretanto, não foi totalmente feliz. Talvez por também ter como objetivo a popularização da filosofia, Marinoff simplificou muitas questões além da conta. Toda simplificação implica em perda de informação, o que exige uma série de cuidados para que não se perca o essencial. Em alguns casos, o autor acabou caindo na própria auto-ajuda que critica, dando soluções ralas para problemas mais complexos. Seu resumo da filosofia da idade média também me chamou a atenção. Chegou a afirmar que a única erudição possível era a estritamente religiosa ignorando por completo o papel da escolástica e a riqueza que foi produzida, por religiosos sim, mas nem sempre de cunho religioso.


Os casos apresentados ficaram muitas vezes na superficialidade, assim como a solução filosófica, deixando o leitor na dúvida até que ponto realmente houve a ajuda.


O mérito do livro é o despertar para a possibilidade de estender uma ajuda filosófica para aqueles que estão com problemas cuja origem é essencialmente filosófica, problemas cujas técnicas terapêuticas apresentam soluções insatisfatórias por não possuir o conhecimento e técnica adequado para tratamento. Ficou a sensação que o resultado de Marinoff poderia ser um pouco melhor do que o que efetivamente conseguiu.


u© MARCOS JUNIOR 2013