Maquiavel

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O Príncipe

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O italiano Niccolo Maquiavel escreveu O Príncipe no início do século XVI e sem dúvida é um dos livros de maior impacto na teoria política em todos os tempos, lido a exaustão até os dias de hoje, não só por políticos como líderes nas mais diversas áreas. Por que? O que existe em um livro relativamente conciso, escrito há 5 séculos, a inspirar homens em pleno processo de modernização? O que há de especial em O Príncipe?


Para começo de conversa, o livro é um livro extremamente prático. Apesar de voltado para os príncipes e principados, para o regime do tipo monárquico absoluto, possui conselhos e orientações que podem ser adaptados ou mesmo aproveitados na íntegra por qualquer líder de grupo humano. Suas premissas são simples e voltadas para a aplicação, um guia para o poder absoluto.


Aí começa o facínio pela obra. Ela é talvez o primeiro roteiro do que um homem deve fazer para conseguir, e principalmente manter, o poder. Pouco importa se o regime é republicano, se é democrático, ontem e hoje homens sonham com e orientam sua vida em torno deste objetivo. É impossível não ver na recomendação de Maquiavel de eliminar a linhagem real ao se assumir um principado novo a exterminação da família do Czar russo por Lênin ou no conselho de contentar ao mesmo tempo o povo e os poderosos a receita para a demagogia moderna, o populismo.


Acima de tudo, e isso interessa ainda mais, Maquiavel coloca a política além do julgamento moral. O príncipe não está submetido aos mesmos princípios de conduta de seus súditos, está literalmente acima do bem e do mal. Para a manutenção do poder vale mentir, matar, conspirar, deixar de cumprir sua palavra. Vez por outra, meio que para fazer uma mea-culpa envergonhada, o autor ainda faz alguma ressalva de cunho moral mas não tem muito como disfarçar. Matar toda uma linhagem real, inclusive crianças, pode ser prático para se conseguir o poder, mas não quer dizer que seja aceitável moralmente.


Outra questão importante do livro é a defesa do Estado como única forma de se manter a ordem. Talvez tenha sido sua contribuição mais importante, o fortalecimento do estado com um líder a frente como uma necessidade da nação. Do tempo de Maquiavel para cá, o leviatã só fez aumentar seu poder até o nível asfixiante de hoje; pior, sua tendência é aumentar ainda mais.


Por fim, Maquiavel não diz na obra que os fins justificam os meios, até porque não se preocupa com nenhuma justificativa. O mais próximo disso é a indicação que o príncipe não deve medir esforços para manter seu trono, abstendo-se da preocupação moral com seus atos. Não diz que necessariamente deve ser mau, mas que deve abster-se deste tipo de julgamento.


O Príncipe será uma obra atual enquanto durar o pensamento dominante de que o estado deve ser a última palavra na organização social e na condução dos problemas humanos e homens estiverem obcecados em obter o poder absoluto através do controle do governo. Coisa que parece longe de acontecer.

u© MARCOS JUNIOR 2013