Pondé

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Guia Politicamente Incorreto da Filosofia

Não sei exatamente os motivos para a escolha desta título, é possível que a editora tenha tentado faturar no rastro no sucesso do guia politicamente incorreto da história do Brasil, mas o livro em si não entrega o que promete. Ainda bem, pois o que Pondé escreve é um muito mais interessante que o título prometia, é uma exposição dos absurdos do politicamente correto. Poderia simplesmente se chamar guia politicamente incorreto do politicamente correto, o que seria mais honesto. Mas não seria politicamente correto, como pode apontar o subtítulo, Um Ensaio de Ironia.

Pois o livro é um ensaio. Ou seja, mostra sem se aprofundar o suficiente para provar, o que não significa que tenha menos valor. Certas verdades, talvez a maioria delas, não precisa de demonstração como ensinava Mario Ferreira dos Santos, precisam apenas ser mostrada pois são evidentes por si mesmas. É o que Pondé procura fazer com a sua dissecação do politicamente correto. A filosofia surge de maneira transversal, mostrando os princípios filosóficos que estão subtendidos na postura e frases do politicamente correto, ou como diz, praga PC. E são essas idéias subtendidas ou ocultas que são o verdadeiro assunto do livro, e seu maior valor.

Quando afirmarmos que todas as religiões são iguais, que os homens e mulheres são iguais, que as minorias devem ser protegidas com leis para estabelecer a justiça social, que todos têm direito à felicidade, que todos somos iguais, o que está subtendido? Se a maioria das pessoas que repetem chavões e comportamentos soubessem o que estão comprando, se assustariam e correriam. A outra parte não se importaria; sua doença é de outra natureza.

Pondé demole sem piedade o feminismo, o multi-culturalismo, o relativismo, até mesmo a tal nova classe média. Mostra didaticamente os princípios de cada postura e mostra porque os princípios estão errados ou são, pelo menos, problemáticos. Vale dizer, não ataca o feminismo, mas o princípios que está por trás do feminismo; o feminismo simplesmente cai junto, pelo menos até que alguém tenha um suporte melhor para mantê-lo de pé.

o feminismo só conhece homens ruins, e seus efeitos só se abatem sobre homens bons: os “melhores”, os keepers (…) e não os ruins, que nunca se preocuram em fazer mulher nenhuma feliz (…) O homem indiferente apenas se diverte (come todas, ainda mais quando são sozinhas e fáceis), enquanto o keeper (o bom partido) se deprime, e a mulher fica só imersa numa personagem que na realidade não existe: a mulher que não “precisa” de um keeper e que acaba sendo apenas a velha e comum mulher fácil de transar. E caidinha...

Um livro facílimo de ler e divertidíssimo, pois Pondé é também um artista do humor, base de toda a ironia. Pena que os politicamente corretos não compreenderiam o que ele está dizendo nem que tentassem. Não farão nem uma coisa nem outra pois no fundo odeiam o conhecimento e o mundo real. Até que este mundo real resolva se revelar com toda a sua intensidade. O politicamente correto esconde das pessoas as verdades incômodas que elas não querem admitir para si mesmas e por isso a fazem se sentirem melhores. É um auto-ilusão para mentes fracas, que esconde que no fundo somos todos medíocres e a grande maioria mais medíocre do que uns poucos que carregam o mundo nas costas.

O politicamente incorreto hoje é muito amplo como fenômeno, mas sempre é autoritário na sua essência, porque supõe estar salvando o mundo.



u© MARCOS JUNIOR 2013