Dia do Professor

Hoje é o dia em que se comemora no Brasil, sem aulas, o dia do professor. Acho uma certa falta de lógica comemorar o dia afastando professores dos alunos, mas vá lá. Nem tudo tem lógica nesse mundo.

Como sempre, é o dia que parecem lembrar desse profissional tão importante para qualquer sociedade e a conclusão é sempre a mesma: é preciso valorizar o professor. Tudo de boca para fora evidentemente, mas um dos temas no Brasil marcado apenas por discursos retóricos vazios é o da educação.

Valorizar o professor parece significar uma única coisa: aumentar salários. É uma visão muito limitada e coorporativista da coisa. Existem professores que ganham bons salários, assim como existem os que ganham salários ruins. Logo, existem professores ” valorizados “, mas onde estão?

Em primeiro lugar estão nas grandes universidades públicas do país. Ganham excelentes salários e possuem um importante benefício, trabalham quando e como querem. Se o professor tem o ensino como missão pessoal, quase religiosa, estará retribuindo os recursos que recebeu da sociedade. Muitos, entretanto, são mestres na tarefa de enrolar seus alunos e simplesmente fingem que trabalham. O problema é que não há como diferenciar um do outro, ambos são considerados juntos nas políticas salariais e nas reivindicações de valorizar o professor. Por que ninguém fala em valorizar os bons professores?

Mas não é apenas no setor público que temos bons salários para professores. Acontece também no setor privado, nos cursinhos preparatórios para concursos e cursos de especialização, particularmente na área de gestão. É por que ganham bons salários? Porque são os setores da educação que são valorizados pela sociedade. Ninguém se matricula em um cursinho para ganhar um diploma, mas para passar no concurso. Isso implica que os professores devem mostrar competência; caso contrário, rua. No caso dos cursos de especialização, empresas buscam melhorar a qualificação de seus recursos humanos e não diplomas para seus funcionários.

Essa constatação leva ao que considero o ponto chave da questão, não é que o brasileiro não valorize o professor, ela não valoriza a educação em geral. Nos poucos casos onde a qualidade é exigida, os professores são bem pagos.

Antes de falar em valorizar o professor temos que refletir e equacionar o problema da valorização da educação. Em geral, independente da classe social, não exigimos de verdade a qualidade na educação; queremos que nossos filhos tirem boas notas e consigam o diploma. De preferência pagando a menor mensalidade possível.

O Ministério da Educação está com o nome errado, deveria chamar-se Ministério dos Diplomas.  Por que o diploma é mais importante que o aprendizado? Ao invés de pedir mais verbas para a educação, deveríamos fazer um amplo debate em torno destas questões. Infelizmente a educação está tão atoladas de ideologias e metodologias fracassadas que pouco se avança neste sentido.

Por isso não participo do coro que pede a valorização do professor. Meu coro é outro. Por que existem bons professores com salários ruins? São esses professores que devem ser valorizados, através da valorização da educação como um todo. Bons salários para bons professores.

Temos que agir nas causas e não nos efeitos.

Parabéns aos bons professores que fazem a diferença, que realmente respeitam seus alunos e os conduzem com mãos seguras nas fronteiras do saber. Podem ter certeza que ficam na memória de seus alunos eternamente, como referência e com gratidão.

Infelizmente, do outro lado, temos os molestadores intelectuais, aqueles que não estão interessados em ensinar e conduzir seus alunos nos caminhos do conhecimento, mas doutriná-los em suas próprias ideologias. Esses não precisam ser valorizados; precisam ser denunciados.

Outubro, 2012

u© MARCOS JUNIOR 2013