Mais sobre administração do tempo

Estou lendo ” A Tríade do Tempo” de Christian Barbosa. Nesse livro, o autor propõe um tratamento diferente para o gerenciamento do tempo em relação à tradição da administração que divide o tempo em urgente e importante. Neste modelo, existem quatro classificações possíveis de acordo com o cruzamento matricial dos dois itens (urgente e importante, urgente mas não-importante, etc).

Barbosa divide as atividades possíveis em 3 campos, sem interseção entre eles: importante, urgente e circunstancial.

  • importante: aquelas atividades que trazem os resultados mais efetivos para a própria vida. Que fazem a diferença no trabalho, na comunidade, para as pessoas que vivem com você;
  • urgente: toda tarefa que deve ser feita imediatamente pois gera algum problema se não for executada;
  • circunstancial:qualquer tipo de atividade que você é levado a fazer em função de uma situação, condição, ambiente ou de outra pessoa _ independente de sua vontade.

O segredo é passar o maior tempo possível fazendo coisas importantes, o que normalmente não fazemos. Alguns colocam que passam a maior parte do tempo no trabalho e que o trabalho é importante para eles. Meu questionamento é todo o trabalho? Profissionalmente executamos atividades importantes, urgentes e circunstanciais. Quanto tempo usamos no trabalho para as duas últimas? Quanto de trabalho realmente importante fazemos em nosso expediente? A resposta pode assustar.

Barbosa aponta também três composições perigosas da tríade do tempo:

  • super-homem: passa a maior parte do tempo na esfera do urgente. Tem a tendência de viver salvando a humanidade;
  • Hommer Simpson: passa a maior parte do tempo na esfera do circunstancial. Não tem objetivos de vida, é levado o tempo todo pelo que está acontecendo;
  • equilibrista: divide-se entre o urgente e o circunstancial. Equilibra os pratos do urgente e do circunstancial, colocando pouco tempo no importante.

Barbosa acerta em cheio quando coloca que administrar o tempo é impossível, um conceito errado, pois não temos qualquer controle sobre ele. O que podemos administrar é nossa própria vida, definindo nossas prioridades, colocando nosso esforço no importante. É o que estou fazendo nesse exato momento ao escrever este post, fazendo algo que é importante para mim.

Um exemplo dessa problemática é o transporte para o trabalho. São cerca de meia-hora gasta em uma atividade circunstancial. Costumo usar esse tempo para ler, uma atividade importantíssima para mim. Somado o tempo de ida e volta do trabalho, é mais de uma hora por dia. Enquanto alguns estão ansiosos para chegar logo no trabalho para colocar o “trabalho em dia”, estou lendo retórica de Aristóteles.

Faz toda a diferença.


Julho, 2013

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