O tédio que leva ao socialismo

Esta semana conheci o Museu de Artes de São Paulo (MASP). Gostei intensamente da visita e lamento não ter ficado mais tempo; apenas duas horas. 

Havia diversas exposições e na que gostei menos, a pintura contemporânea alemã, achei uma obra interessante. Trata-se de um quadro do pintor Werner Turbke , parece que da década de 60, que constava com o título Brigada da Juventude Socialista.

No quadro se vê um conjunto de jovens em um luxuoso salão, com cara de entediados, entre cigarros e garrafas de vinho, mostrando uma série de contradições que faz o socialismo e o fascínio que tanto seduzia a jovem elite cultural da época, e que continua a seduzir até hoje.

tubke

Não cansa de me abismar como, ainda nos dias de hoje, pessoas tidas como inteligentes, que deveriam estar guiando a sociedade em direção à verdade e os valores que dignificam a vida, abdicam da sua capacidade de pensar com clareza e ignoram completamente a realidade, defendendo princípios que levaram milhões à morte. Esse quadro poderia bem representar o dia de hoje, com pessoas privilegiadas, e por isso talvez com sentimento de culpa, falando abstratamente de justiça social e violentando princípios universais que cada consciência carrega em seu íntimo para justificar sua simpatia a todo tipo de homens e mulheres completamente imorais. O grau de alienação que uma pessoa tem que ter para votar em Dilma Rousseff, por exemplo, mostra que nos encontramos em tempos muito difíceis e de certa forma, uma época de completa doença espiritual.

Quando vejo este quadro de Turbke, vejo a mediocridade e a razão de muitas mazelas de hoje, principalmente no Brasil. A elite cultural está doente, e isso é um problema maior do que a doença das outras elites, seja política, econômica, religiosa, militar, etc. A força que impulsiona uma sociedade, ao contrário do que pensam muitos, não é a economia ou a história, mas a pura e simples ação humana. Por trás de cada decisão política ou econômica está uma decisão tomada por uma pessoa real, não um ente abstrato qualquer e a expressão da ação humana por excelência é a cultura. Quando as pessoas que deveriam perceber e traduzir para os demais os mecanismos de funcionamento de uma sociedade estão alienados e incapazes de interpretar o mundo real, porque estão muito preocupados em impor suas opiniões o tempo todo, os resultados são apenas uma questão de tempo. O lulo-petismo não começou com a sedução das pessoas humildes, mas das elites culturais brasileiras. A inversão de valores não é culpa da imensa massa de brasileiros semi-analfabetos ou pobremente educados, são obra exclusiva dessas mesmas elites que a cada dia descem um pouquinho mais na imoralidade.

Vejo em cada rosto o tédio que tentam disfarçar na empolgação com coisas absolutamente sem importância, pois as coisas que realmente importam, as que estão no coração de cada sociedade, como a maternidade, a família, a simplicidade, a vida, a humildade, a cooperação voluntário, o humor, a ironia, tudo isso é para elas um motivo de tédio e de falta de sentido. O que importa são os grandes temas da sociedade de hoje: justiça social, preocupação com meio ambiente, luta contra o imperialismo, exploração econômica, multiculturalismo e etc. Estão tão preocupadas em enxergar longe que são incapazes de enxergar o que está ao lado e salta às vistas.

São essas pessoas que estão na tela de Turbke que são responsáveis pela cegueira espiritual da sociedade contemporânea. São elas que devem se curar e ninguém pode fazer isso por elas. Apenas torcer para que tenham coragem e humildade para entender o tamanho de sua cegueira e abrir-se para a verdade do real. Enquanto isso não acontecer, estaremos representados por elites política-econômicas corruptas eleitas por um povo mantido na ignorância.

(Outubro, 2010)

u© MARCOS JUNIOR 2013