Orgulho

Chesterton argumentava que o orgulho era uma das coisas curiosas do mundo. Quando uma pessoa não tem nenhum motivo pessoal para ter orgulho de algo, é uma virtude. Quando ela realmente tem o mérito, ter orgulho é um pecado. Só podemos ter um orgulho saudável, quase que virtuso, por coisas que não tivemos mérito nenhum; o contrário, quando temos orgulho de algo que merecemos, esse orgulho se transforma em vaidade, no pai de todos os pecados como já ensinava Paulo apóstolo.

É fácil perceber isso em nossa vida real. Quando temos orgulho de nossos pais, de nosso país, do mundo, da conquista de um filho, estamos falando de algo profundamente saudável e místico, pois não temos mérito nenhum nessas coisas. Estamas expressando gratuitamente nossa consideração e nosso amor. Agora, imaginem uma pessoa que fez algo notável, como tirar 10 em uma prova. Essa pessoa vira para os amigos e diz: estão vendo como sou bom aluno? Tirei 10! Sou realmente muito inteligente, dedicado aos estudos. Ele está realmente dizendo a verdade, ele se esforçou, tirou sua boa nota, mereceu. Só que dificilmente deixaremos de perceber que esse orgulho demonstra sua vaidade, seu sentimento de superioridade em relação aos demais. Esse orgulho é um pecado, um conceito desvalorizado nos dias de hoje, mas que realmente expressa sua natureza, o de ser contrário às leis de Deus.

É como a humildade, uma das mais importantes virtudes cristãs, talvez a maior de todas. Chesterton também argumentava que as virtudes cristãs tem essa curiosidade, elas só são virtudes enquanto não percebidas. No exato momento que percebemos que a temos, deixamos de tê-la. Uma pessoa pode realmente ser humilde, mas no instante que olha para o espelho e diz para si mesma: nossa, como sou humilde!, já não é mais. 

Uma pessoa pode realmente ter orgulho de muitas coisas: de sua aparência, de suas realizações, da maneira como criou seus filhos, da vida que levou. Mas esse orgulho só poderá existir se não pensar nele. No instante que percebe suas próprias realizações e sente orgulho por elas, foi conquistado pela soberba, pela vaidade, pelo mal que existe no coração dos homens. Um homem saudável, diante dessa coisas, sente que não as merece, pois conhece a impureza de seu coração e tem a intuição que foi ajudado; mais do que qualquer orgulho, sente uma imensa gratidão pela ajuda que recebeu.

Por tudo isso, sempre que alguém falar em ter orgulho por algo, deve-se fazer a seguinte reflexão: essa pessoa tem orgulho por algo que atribui como uma realização, uma escolha, uma vitória sua? Se assim for, muito provavelmente deveria estar quieta e agradecendo, e não bradando esse orgulho para si mesmo e para os outros. No fundo, só mostra desprezo pelos que não tem seu grau de iluminação e isso, como ensinou Cristo, é a essência de todos os pecados, a violação do maior dos mandamentos de um homem para outro: amar ao próximo como a si mesmo.


Setembro, 2011

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