Pobre Europa

Chesterton dizia que quando se perde a fé em Deus e não se acredita em nada, na verdade passa a se acreditar em tudo. Por isso a maioria dos europeus é incapaz de enxergar o mal que se abateu sobre sua civilização nos dias de hoje. Pior, boa parte do mundo também não e ainda continua achando que trata-se de apenas mais um desses ciclos de recessão econômica que acontecem de tempos em tempos. Não, o grande problema europeu é espiritual e se chama acatolia, ou simplesmente recusa do sentido do geral.

Trata-se de uma doença descrita pelo filósofo romeno Constantin Noica em 1978, uma das seis doenças espirituais do homem. Nela, o homem recusa qualquer sentido geral para sua própria vida, buscando uma espécie de carpe diem eterno, ou uma ilusória liberdade total. Acaba em no niilismo descrito por Nietzsche, em que a morte de Deus gera um estado em que todos os valores se desvalorizam e simplesmente não há mais valores. O resultado é a angústia, depressão e muitas vezes a revolta.

O problema de se matar Deus é que alguém irá tomar seu lugar, pois a necessidade de ligação com a transcendência é um aspecto constitutivo da natureza humana. Nada é mais patético do que o ateísmo militante que não consegue perceber que sua própria recusa desesperada de Deus é em si uma ligação com a transcendência; sua alardeada liberdade nada mais é do que a pior das escravidões, a recusa de se submeter a algo superior.

O resultado é uma Europa de templos vazios, materialista, envelhecida, sem herdeiros. Um relativismo em que a moralidade perde qualquer sentido e as virtudes cristãs deixam de existir, sem nada a altura para substitui-las. O estado assume o papel de santo protetor, tudo para tirar qualquer responsabilidade do próprio fracasso e ter alguém para culpar por seus infortúnios. A poupança e o trabalho duro passam a ser ridicularizados, os imigrantes passam a receber a culpa de tudo de ruim que acontece no continente. Governos desesperados tentam comprar mães para aumentar a taxa de natalidade sem perceber que não é por dinheiro que se coloca um filho no mundo. É difícil pessoas que acreditam que o dinheiro move o mundo entenderem que existem mil coisas que fazemos contra os nossos próprios interesses econômicos, como a maternidade.

Pobre Europa. Ainda não perceberam que seu problema não tem nada a ver com economia. A economia, ao contrário do que se pensa, não é causa, mas consequência da ação humana, que se traduz na cultura de um povo. A situação só vai piorar a cada medida econômica pois o problema do europeu está em sue próprio coração.


Junho, 2012

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