Salário-mínimo e sua mágica

minwage


Como se forma o valor de um salário?

É preciso ter em mente que os salários dependem da interação entre empresas e trabalhadores. São três os fatores que exercem um papel importante nessa interação[1]:

  1. as escolhas das empresas que precisam de trabalhadores
  2. as escolhas dos trabalhadores, que vendem seu trabalho
  3. o processo de barganha entre empresas e trabalhadores

Não há mágica. A empresa analisa o custo-benefício da contratação de um trabalhador analisando dois fatores: o custo total (salários, impostos e benefícios sociais) e seu efeito líquido sobre o lucro da empresa. Quanto mais produtivo ele for, quanto mais ele influir no faturamento da empresa, mais ela estará disposta a pagar por ele. Se os benefícios de contratar esse trabalhador superarem os custos, a empresa escolhe contratá-lo.

O trabalhador, por sua vez, analisa o salário que pode receber, além de outros fatores como o aprendizado, estabilidade, etc. O custo de trabalhar em uma empresa é o tempo que poderia ser utilizado em outras atividades (lazer, cuidar da família, trabalhar por conta própria, etc). Ela decide oferecer seu trabalho apenas se os benefícios forem maiores do que este custo de oportunidade.

O terceiro elemento é a negociação. Empresas querem pagar menos, trabalhadores querem receber mais. Um importante fator que influi no preço do trabalho (o salário) é a concorrência, tanto entre empresas (tende a elevar salários) quanto entre trabalhadores (diminui salário).

Qualquer medida econômica que não afete estes três fatores configura o que Gonçalves e Guimarães denominaram "economágica".

Vejamos o caso do salário-mínimo.

O governo, ao estipular um valor mínimo para o salário, interfere no mercado. Ele não influencia na competição entre as empresas, nem na competição entre trabalhadores. Seu maior efeito é sobre o custo da mão de obra. Considerando que o salário-mínimo não interfere na capacidade de produzir do trabalhador, alguns deixarão de ser empregados.

Imagine dois trabalhadores que conseguem produzir R$ 600 e R$ 500 para uma empresa, exercendo a mesma função. Por um salário menor do que o benefício, ela poderá contratá-los. Digamos, por R$ 450.

No entanto, por imposição do governo, ela não pode pagar menos do que R$ 550. O que faz a empresa? Permanece com o primeiro trabalhador, que tem seu salário aumentado em R$ 100 e dispensa o segundo por não ser vantajoso. O resultado é que o benefício de um se faz a custa do outro. A empresa também perde, pois se vê sem condições de produzir na sua capacidade. A economia do país perde pois a empresa produzirá um pouco menos. Por isso o resultado de uma político de aumento artificial de salários causa um efeito colateral importante, o desemprego.

E quem exatamente é colocado fora do mercado de trabalho pelo salário-mínimo? Justamente os menos capacitados, geralmente os jovens que estão iniciando no mercado. São eles que pagam pelos benefícios dos que estão melhores colocados.

É o que mostra este post do blog Carpe Diem, onde se evidencia que o pessoal do NYT precisa assistir um curso básico de economia antes de escrever as bobagens que costumam escrever.


[1] "Economia sem Truques", Gonçalves, C. E. e Guimarães, B.


Julho, 2010


u© MARCOS JUNIOR 2013