Tipos de discurso em Aristóteles


Em sua obra Retórica, Aristóteles divide a arte da oratória em três tipos, de acordo com seu objetivo.

A primeira forma de oratória é aquela destinada a a convencer alguém à determinada ação ou a evitá-la. Trata-se do discurso político, aquele que está voltado para o futuro. Assim, quando um candidato participa de um debate com outros candidatos a um determinado cargo, ele está tentando levar os eleitores a uma determinada ação, no caso votar nele.

Não quer dizer que seja privilégio de políticos, nós mesmos o usamos diversas vezes. Quantas vezes não tentamos convencer alguém a fazer algo, nem que seja nosso próprio filho? O homem é um animal político como já dizia o próprio Aristóteles, que quer dizer que estamos sempre tentando convencer alguém a fazer algo ou nos deixar fazer algo.

O segundo tipo de oratória, esse voltado para o passado, é o jurídico. Nesse caso procura-se fazer justiça sobre algo que aconteceu, acusando ou defendendo alguém. É o que estamos vendo no mensalão. Fica claro em um julgamento pois vemos os advogados e promotores em ação, cada um fazendo sua parte. Mas também não é privilégio apenas da turma do direito, sempre que discutimos tentando entender o que aconteceu usamos o discurso jurídico.

O terceiro tipo, voltado para o presente, é o exibcional. Nesse caso procura-se elogiar ou condenar alguém por algo que está acontecendo. Por exemplo o desempenho de nossos atletas nas Olimpíadas.

Cada tipo de discurso tem seus elementos próprios e suas regras. No discurso político, por exemplo, não há preocupação com a justiça dos argumentos, com a verdade em si. O objetivo é convencer alguém a a realizar algo, o que muitas vezes leva o orador a recorrer à mentira. No jurídico, o belo deixa de ser importante, vale a justiça e busca pela verdade, mesmo que contrarie os próprios gostos pessoais. E assim por diante.

Portanto, quando estivermos diante de uma discussão pública, a primeira coisa a fazer é classificar o objetivo do discurso para saber que tipo de oratória estamos acompanhando. Dessa forma, podemos avaliar melhor os argumentos, identificando seus méritos e erros. De nada adianta dizer que um determinado argumento é justo ou injusto se não for uma discussão jurídica. Muitas vezes nos perdemos por não considerar o que se pretende com uma determinada discussão.

O que vemos muitas vezes é a própria confusão do orador que se utiliza de instrumentos completamente inadequados para o objetivo que se pretende. Quando percebemos a essência do discurso, podemos tirar tudo que está sobrando e nos concentrar no mérito em si.

E descobrimos porque a arte enganjada, por exemplo, é uma grande besteira.

E porque Chico Buarque jamais será um poeta.


Agosto, 2012

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