Um pitaco nas cotas da universidade

A discussão sobre as cotas na universidade parece que está só começando.

Um lado argumenta que os alunos mais pobres frequentam _ em sua maioria pois há exceções _  as escolas públicas, geralmente de pior qualidade, como evidencia bem o relatório divulgado ontem. Dessa forma, para promover a igualdade, é preciso estabelecer cotas para os alunos oriundos destas escolas. Ao mesmo tempo, sabe-se que há uma representação desigual de negros entre os mais pobres. Para resolver dois problemas de injustiças históricas, deve-se conceder a cota para a escola pública e, dentro dessa cota, estabelecer outra pela cor da pele.

O outro lado argumenta que as cotas vão provocar uma entrada em massa de alunos não qualificados o que resultará na queda do nível de ensino ou em uma reprovação em massa no primeiro ano, gerando um déficit de profissionais no futuro.

Leibnitz dizia que em uma discussão as pessoas geralmente estão certas no que acreditam, o problema é a pressa em rejeitar o que não acreditam, o que nem sempre está em conflito com suas próprias idéias.

Mais uma vez estão discutindo as consequências e não as causas. Qual o quadro universitário brasileiro? De maneira geral:

  • alunos de maior renda estudam nas melhores universidades, normalmente públicas e pagas pelo contribuinte;
  • alunos de baixa renda, quando estudam, optam por cursos pouco procurados em universidades públicas, com remotas possibilidade de aplicação, ou pagam os olhos da cara pelo ensino particular;
  •  as universidades particulares dividem-se em dois grandes grupos: um voltado para um ensino de elite, primando pela excelência, e outro, em número bem maior, oferecendo cursos de baixa exigência para atender os alunos da classe C, que normalmente trabalham para pagar os estudos e só estão interessados no diploma;
  • aliás, em geral o aluno universitário só se interessa pelo diploma;
  • boa parte, principalmente os alunos de maior renda, encaram a universidade como um caminho para o concurso público. O curso é um detalhe. E um diploma;
  • quem trabalha só consegue estudar em universidade particular pois, por questões ideológicas, as universidades públicas fazem de tudo para atrapalhar a vida do aluno neste sentido;
  • curso noturno, apenas particular pelo mesmo motivo anterior.

Em resumo: aluno rico tem os estudos custeados pelo contribuinte, aluno pobre se vira para pagar o seu.

Se os melhores alunos são os de maior renda, só há três opções:

1 – acabar com a gratuidade nas universidades públicas e substituir por bolsas para os alunos mais pobres mantendo a meritocracia, ou seja, aluno rico paga sua faculdade, privada ou pública.

2 – melhorar o ensino público para que os alunos de baixa renda tenham melhores condições de competição;

3 – forçar os alunos de maior renda para as universidades particulares, reservando as públicas para os mais pobres.

O governo simplesmente optou pela terceira. A primeira, que seria a mais lógica, mexe com os ideológicos de esquerda e a segunda dá muito trabalho e exige competência.

Quer saber? Estou achando muito divertido essa estória de cotas. No médio prazo vai melhorar as universidades particulares pois vão enfim receber melhores alunos para trabalhar e vai cair o nível das públicas, que se mantém nesse patamar apenas porque competem em condições desleais com as particulares. O bom aluno tem que decidir se paga milão para estudar na particular ou zerão na pública. Assim fica fácil, né?

Sobre a parte das cotas para cor da pele, acho uma discriminação contra os negros. Pior, no longo prazo vai colocar um rótulo que nunca tiveram.  Esse é o verdadeiro racismo.

O que não pode é um assalariado pagar imposto para custear os estudos de quem não precisa ser custeado. O resto é conversa.

O governo vai acabar acertando. Sem querer, lógico.


Agosto, 2012

u© MARCOS JUNIOR 2013