Verdadeiro reconhecimento


Uma mamãe me diz algo perturbador: o único reconhecimento que peço a meus filhos, por tudo que fiz, é que façam o mesmo e assim continuem.

E assim continuem… Uma verdadeira ética do devir. A outra ética mantém o mundo no lugar. Se o irmão do filho pródigo tem filhos, com segurança lhes pede reconhecimento. É o tipo de homem que mantém o mundo no lugar.

                                                                                                                                                                              Constantin Noica

Aqui chegamos no centro do problema do mundo ocidental hoje, a recusa em fazer o mesmo que seus pais fizeram por eles. Como pode uma civilização ser considerada feliz e ao mesmo tempo negar à vida? Sempre que alguém vem da Europa deliciado com o mundo rico e quase perfeito eu me pergunto: onde estão as crianças? Se tudo é tão perfeito, tão limpinho e fácil, por que nem com incentivo pesado pelos governos não se quer ter filhos?

Desculpas não faltam. O problema é que justamente as famílias que teriam mais motivos para criar filhos, pois possuem as melhores condições para educá-los, são as que recusam este papel. Precisam viver o presente. Pobres almas; não percebem o que estão abrindo mão. Tudo se esvanece, assim como esse presente tão importante que nos obriga a não pensar no passado e no futuro. Somos felizes com nossos irmãos, mas recusamos muitas vezes ao nosso filho único a benção que tivemos. Como nossos pais eram irresponsáveis? Colocar filhos num mundo desses?

Chesterton ensinava que para manter algo como está era preciso estar sempre renovando. Dava o exemplo da cerca branca. Deixada à própria sorte, logo perderia sua cor, mas pintada regularmente seria sempre branca. Estamos fazendo o mesmo com o mundo, estamos deixando-o à sua própria sorte. Isso que Noica quer dizer com a ética do devir. Já o irmão do filho pródigo trabalha pela ética de manter o mundo no seu lugar. Justamente por isso esse mundo terminará se degradando.

A decadência já começou e os primeiros sinais apareceram, embora sejam constantemente ignorados, computados como resultados de alguma crise econômica qualquer. Não será uma decadência lenta como esperam, será explosiva e haverá muita destruição. Prestem atenção na Europa nos próximos anos. Nunca se viu igual fenômeno na face da Terra; nunca uma civilização decidiu por suicidar-se em uma velocidade tão extrema.

O materialismo cobra seu preço.


u© MARCOS JUNIOR 2013