Rodrigo Gurgel -  Esquecidos & Superestimados

 Esquecidos & Superestimados

Resumo

A crítica literária se perdeu em algum momento na história do Brasil. Ela hoje se resume praticamente a pequenas resenhas da grande mídia, cada vez menores, e pelo trabalho de amadores pela internet. Rodrigo Gurgel se apresentou para nos dar uma alternativa e retomar uma crítica que remete ao passado, ao tempo que tínhamos grandes literatos capazes de analisar em profundidade uma obra, que fugiam à prisão mental da tríade infernal denunciada por Todorov: formalismo, niilismo e solipsismo. Em um esforço admirável de resgatar o valor da crítica literária, Gurgel se dedicou a passar em revista os autores brasileiros com dois objetivos básicos: mostrar como alguns foram levados ao topo sob cumplicidade de uma crítica que não soube denunciar suas falhas e como alguns foram injustamente esquecidos, à despeito das qualidades que possuíam. Esquecidos & superestimados é o segundo volume e prossegue na análise das obras das primeiras décadas do século XX.

Idéias principais

- Uma obra não pode ser analisada independente de seu enredo, como se fosse só um jogo de palavras, uma construção estética que busca uma independência da história que está narrando e da verdade que busca transmitir. 

- Muitos autores brasileiros tem no rebuscamento, na retórica vazia, a sua principal característica. Por muito tempo isso está sendo visto como demonstração de talento, de estilo. Gurgel se insurge contra essa doxa e mostra, sem deixar dúvidas, que longe de ser talento do escritor, na verdade é um escamoteamento de sua limitação.

- Outro problema da literatura brasileira foi a influência absurda do positivismo e do naturalismo. Os personagens não possuem força e são completamente previsíveis pois são limitados pelo meio em que vivem. O resultado é um esquematismo que beira ao ridículo, além de personagens completamente insípidos, despidos daquelas nuances e imprevisibilidade que fizeram os grandes ao longo da história. Não há espaço na literatura brasileira, pelo menos na maior parte, para a queda e a redenção, talvez os grandes temas da literatura.

- Romances como Os Sertões e Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá possuem muitas virtudes, mas também apresentam problemas, que foram ignorados ao longo dos anos por uma subserviência ao nome de seus autores, considerados grandes nomes da literatura brasileira. Analisar suas falhas não fazem deles escritores menores, mas mostra que nem sempre um grande escritor acerta o tempo todo. 

- Grandes obras injustiçadas e escondidas do grande público:

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  •   A Falência - Júlia Lopes de Almeida
  •   A todo transe! - Emanuel Guimarães
  •   Turbilhão - Coelho Neto
  •  Maria Dusá - Lindolfo Rocha
  •  Lendas do Sul - Simões Lopes Neto
  •  Tropas e boiadas - Hugo de Carvalho Ramos
  •  Crônicas - Carlos de Laet
  •  Os caboclos - Valdomiro Silveira
  •  Urupês e Negrinha - Monteiro Lobato
  •  A Pulseira de Ferro - Amadeu Amaral

- Obras superestimadas

  • Aves de Arribação - Antônio Sales
  • A correspondência de uma estação de cura - João do Rio
  • Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá - Lima Barreto
  • Fruta do Mato - Afrânio Peixoto
  • Alma Bárbara - Alcides Maya
  •  Os Sertões - Euclides da Cunha


conclusão

As idéias de Gurgel dão um novo olhar e resgatam do ostracismo autores e obras que estavam esquecidas e eram ignoradas pelo público de hoje. O livro pode ser lido como um manual de escrita de crítica literária e como um guia para descobrir algumas pérolas que ficaram no tempo. A literatura brasileira não foi feita apenas pelos seus nomes mais famosos. 


Aplicação Pessoal

1. Aprender alguns esquemas para escrever críticas

2. Prestar atenção à tríade infernal: formalismo, niilismo e solipsismo

u© MARCOS JUNIOR 2013