Anneli Rufus

Party of One, The Loner's Manifesto

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Nos dias de hoje, ser solitário é quase uma doença. Parece ser uma exigência do mundo globalizado que sejamos seres sociais, que tenhamos ao redor de nós uma multidão de amigos e parentes para que possamos ser felizes. Ser só, seja na infância ou na vida adulta, inspira preocupação, implica em desajuste. Quantas vezes não são montada missões de resgate por conta de um conhecido que "está isolado", como se estivesse dando um grito silencioso e desesperado por socorro?


Anneli Rufus faz uma defesa do direito que todo ser humano tem de fica só. Posicionando-se como uma solitária, a autora procura desmistificar a visão que as pessoas não solitárias tem do solitário. Longe de ser um desajuste, o desejo de ficar só é para muitas pessoas algo natural e mesmo hereditário. Grandes gênios das artes e da ciência possuíram esta característica. Anneli vai mais além, para muitas atividades criativas, a solidão é uma necessidade.


Ser solitário não implica em ficar só o tempo todo. Implica em ter uma desejo de qualidade muito mais pronunciado do que quantidade. O solitário contenta-se em ter poucos amigos, muitas vezes um só, mas entrega-se a eles de corpo e alma. O solitário possui necessidade de realizar atividades para si mesmo, com paciência e dedicação. Pense em uma pessoa que gosta de passar um sábado em sua garagem fazendo trabalhos manuais, sem desejo de ser importunado e terá uma imagem do que significa para ela a solidão.


Anneli trata de vários assuntos e sua ligação com a solidão. Como um solitário se relaciona com a cultura popular? Como o cinema e a literatura tratam a solidão? Como o mercado publicitário encara as pessoas solitárias? E a religião? Solitários são mais propensos a serem assassinos seriais?Artes, literatura, amizade, infância. A autora aborda a solidão de vários pontos de vista diferentes, buscando justificar uma escolha que para ela não tem nada de absurdo, a escolha em ficar só.


Party of One é um livro que trata da solidão mas que trata também da modernidade e seus desafios. Através de suas páginas não consegui deixar de pensar no clássico de Huxley, Admirável Mundo Novo, onde ficar só era proibido pelo estado perfeito. As pessoas eram encorajadas a estarem sempre em multidões, até mesmo nas relações sexuais. Será que a solidão não é um dos refúgios do indivíduo diante da opressão do coletivo? O fato é que o bom livro de Anneli Rufus nos dá uma interessante perspectiva para olhar este mundo dinâmico e globalizado que nos acolhe neste início de século.


"Inspiration comes to those who know how to be silent,

how to wait, how to translate the ineffable.

Sound like anyone you know?”


Julho, 2009


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