Gilberto Freyre

De Menino a Homem

Estão na minha lista de leitura as obras principais de Gilberto Freyre, principalmente agora que a questão racial no Brasil ganhou grande impulso em torno da discussão sobre as primeiras leis raciais do Brasil (também chamadas ações afirmativas).

Freyre conseguiu a proeza de ser atacado à esquerda e à direita pela mesma tese. Chesterton ensinou-me que quando algo é atacado pelos mesmos motivos por teorias das mais variadas direções é porque costuma ser verdade. Foi um dos argumentos que usou em Ortodoxia para defender o Cristianismo, mas isso é outra estória.

O importante é que a importância de Freyre para o país é inegável. Quando vi "De Menino a Homem", uma curta autobiografia de seu período mais produtivo, encarei como a oportunidade de ter uma introdução à sua obra. Acabei de certa forma frustrado.

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Freyre não aborda muito suas idéias e o processo que resultou nos seus livros mais importantes; seu foco foi sua experiência pessoal na sociedade em que viveu, tanto no Brasil quanto no exterior. Aliás, uma das coisas que fica patente foi que o Gilberto Freyre foi mais respeitado lá fora do que aqui. Sem novidades, visto o exemplo de Mário Ferreira dos Santos.

Apesar de algumas constatações interessantes, como o entendimento que se você tem algo importante a dizer escreva um livro e não uma tese acadêmica, conselho de um professor seu, nos Estados Unidos, claro, o livro acabou por decepcionar. Comparado com Reflexões Autobiográficas de Eric Voegelin, por exemplo, fica muito aquém. Talvez tenha ficado mal acostumado com o velho mestre alemão, mas a comparação me foi irresistível.

Quando terminei Reflexões, tinha uma boa idéia das teses centrais de Voegelin, suas obras importantes e a experiência que o levou a escrevê-la. Freyre toca de passagem em seus principais livros, pouco fala de suas idéias e alguma coisa da experiência que estava vivendo.

Valeu apenas como uma leve tintura de sua personalidade. Muito pouco para tanta expectativa.

(Setembro, 2010)


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