Paul Jonhson

Tempos Modernos

A history of the Modern World from 1917 to the 1980's

Paul Jonhson



O mundo moderno começou em 29 de maio de 1919, quando fotografias de um eclipse solar, obtidas da ilha de Príncipe, na costa oeste africana, e em Sobral, no Brasil, confirmaram a veracidade de uma nova teoria do universo.


Assim Paul Johnson começa a narrar os acontecimentos do século XX e principalmente das idéias estiveram por trás destes acontecimentos. Esta é a principal diferença da obra de Johnson, a preocupação com a busca do pensamento que estiveram por trás dos fatos históricos. É uma obra de história que recorre freqüentemente a Freud, Einstein, Sartre, Nietzsche, Keynes e tantos outros. A política não acontece isolada da sociedade em que está inserida.

Tudo começou com a Teoria da Relatividade de Einstein. Por que? Porque abalou a crença popular que haveria valores absolutos a serem preservados.”No princípio dos anos 20 surgiu uma crença, pela primeira vez em nível popular, de que não mais havia quaisquer absolutos: de tempo e espaço, de bem e mal, de conhecimento, sobretudo de valores. Erroneamente a relatividade se confundiu com relativismo, sem que nada pudesse evitá-lo”. O próprio Einstein temia este efeito e viu o relativismo moral __ para ele uma doença __ transformar-se em pandemia social e ver sua equação no conflito nuclear.

Darwin foi outro que teve um papel crucial, também contra sua vontade. Sua noção de sobrevivência do mais adaptável foi elemento-chave para o conceito marxista de luta de classes e para o nazismo. Freud contribuiu também para transmitir a mesma mensagem que estes outros: o mundo não era o que parecia ser.

Tudo isso foi pano de fundo para o grande acontecimento do século XX: o crescimento do Estado em relação aos indivíduos. “A capacidade destrutiva do indivíduo, embora perversa, é insignificante; a do Estado, embora bem-intencionada, é infinita”.

O mundo encontrava-se a deriva e as idéias de Nietzsche começaram a ganhar espaço com extraordinária rapidez. Deus fora colocado em cheque e entre as raças mais adiantadas houve o declínio e o colapso do impulso religioso. O problema maior é que em seu lugar ficou um imenso vácuo. Segundo Johnson, a história dos tempos modernos é, em grande parte, a história de como este vácuo foi preenchido.

Nietzsche havia descrito que o melhor candidato para ocupar este lugar seria a “Vontade de Poder”. No lugar da crença religiosa haveria ideologia secular.

A vontade de poder produziria um novo tipo de Messias, livre de qualquer sanção religiosa e com um insaciável apetite pelo controle da humanidade. O fim da antiga ordem, com um mundo à deriva num universo relativista, era um apelo a que estadistas gângsteres emergissem. E eles não demorariam a fazê-lo.

É um livro obrigatório para quem deseja compreender os processos históricos além da superfície, procurando suas raízes na evolução das idéias no mundo. Jonhson contesta muitos lugares comuns e refuta interpretações que tornaram-se verdades principalmente pela análise marxista dos acontecimentos.

Mostra como a falsidade ideológica destruiu a biografia de gente como Warren Harding; como Roosevel contribuiu para prolongar os efeitos da grande depressão e a simpatia que teve até bem perto do fim de sua vida por Stálin;como o mundo ocidental deixou-se fascinar pelos discursos totalitários de Hitler e Stálin; como Lenin construiu a União Soviética e sua irresistível paixão pela violência como forma de ação política; a experiência que Mao realizou com milhões de chineses; o papel da ONU e sua responsabilidade para o banho de sangue que se tornou a descolonização da África; como a ONU tornou-se um instrumento de atuação política de nações totalitárias; os erros de Einsenhower, Kennedy e Johnson na condução da guerra do Vietnã; como Kennedy assumiu sem necessidade o compromisso de manter a independência de Cuba na questão dos mísseis; como Nixon foi trucidado pela aliança de ativistas universitários e a mídia liberal americana contribuindo para o massacre de um quarto da população do Vietnã e como o coletivismo provocou a derrocada americana na década de 70, entre outros temas.

Ler Tempos Modernos é uma experiência e tanto. Mais do que uma aula de história é um convite a entender o mundo em um um contexto mais amplo. É a descrição da destruição do indivíduo pelas forças coletivas que encontram no Estado sua mais forte e cruel representação.


Agosto, 2008


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