Reinaldo Azevedo

Máximas de um país mínimo

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Criar aforismas exige uma boa dose de talento. Afinal, conseguir sintetizar em algumas poucas palavras um pensamento bem mais profundo ou um retrato da sociedade não é tarefa para qualquer um. A maioria das pessoas precisa de muitas palavras para descrever a mais simples das situações;outros, reproduzem o complexo em uma única frase, o que exige um grande conhecimento da linguagem e de suas sutilezas. Um dos únicos brasileiros capazes de tal feito é Reinaldo Azevedo, o blogueiro mais influente do país.


Reinaldo consegue aliar uma capacidade de observação impressionante e o pleno domínio da língua escrita. O resultado só poderia ser este festival de pérolas que a Record publica em uma simpática edição diminuta. Um livreto para guardar e consultar sempre. Organizado por verbetes em ordem alfabética, temos a síntese do pensamento de Reinaldo dos principais assuntos da atualidade. Alguns exemplos:


"O melhor remédio contra a esquerda ainda é a alfabetização moral."


"O que mais me espanta na Igreja dos Santos do Aquecimento Global dos Últimos Dias é a precisão. Se eu perguntar a Kofi Annan se vai chover amanhã, é bem capaz de ele molhar o dedo na saliva para interpretar os ventos. Ou de consultar alguma entidade tribal não eurocêntrica. Mas integra a turma que sabe exatamente qual será a temperatura média em 2130."


"As crises do capitalismo trazem em si o germe da própria solução, como não disse Marx."


"Celso Amorim é do tipo que fabrica massa negativa: quanto mais ele se esforça, pior. Se trabalhasse a metade, renderia o dobro."


"Noam Chomsky não passa de um Michael Moore alfabetizado, menos adiposo e, eventualmente, de banho tomado."


"A convicção da maioria não torna verdadeira uma mentira"


"O PT não inventou a corrupção, ele apenas a desmoralizou."


"A Teologia da Libertação trocou a Cruz, que é eterna, pela foice e pelo martelo, que são apenas velhos."


"Pregar a morte de Deus no Ocidente é covardia. Corajoso seria pregar a morte de Alá em Teerã."


"A utopia é sempre vizinha da vigarice, intencionalmente ou não."


Máximas de um país mínimo é acima de tudo uma grande diversão. E uma prova que faça o que quiser, a esquerda jamais terá senso de humor, por absoluta incapacidade de entendê-lo.

O País dos Petralhas

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Editora Record (2008) Reinaldo Azevedo


Petralha é a expressão criada pelo blogueiro Reinaldo Azevedo para designar a mistura de petista com irmãos metralhas. É uma expressão que antes de restringir o petismo, o amplia. Não é parte do PT que é composto por petralhas,mas parte do petralhismo que é composto por petistas.

O livro é uma coletânea de posts e artigos escritos por Reinaldo nos últimos anos, no período que coincide com o atual governo. Na primeira frase já se tem idéia do que virá adiante: "tudo que é bom para o PT é ruim para o Brasil." É o que Reinaldo tenta demonstrar, com base na lógica e em sua vasta cultura, ao longo da obra.

Amigo de um bom desafio, não adere nunca à acomodação. Do mesmo jeito que está criticando o apedeuta, forma como se refere ao presidente, está criticando ícones como Chico Buarque ou Bono Vox. Contesta até mesmo tradução oficial do vaticano, em um dos seus melhores momentos.

O título é meio enganoso. Não apenas o petismo que é retratado, mas um movimento muito maior. Um movimento que vai na direção da submissão do indivíduo a um poder globalizante que está sendo construído. Reinaldo identifica que a tradição está a perigo e com ela todos os valores mais caros da humanidade. O petismo é apenas parte do movimento totalitário que o mundo está passando.

Mostra como a América Latina está se tornando totalitária. Homens como Chávez e Morales estão utilizando os instrumentos da democracia para solapar a própria democracia. Não coloca em categoria diferente o presidente Lula, apenas afirma que Lula só não faz o mesmo dos seus colegas do Foro de São Paulo porque não quer, não porque não deseje. Sobre os referendos comenta:

     Vão por mim: povo gosta é de ditadura; quem prefere democracia é Dona Zelite. (...) Já a partir do plebiscito mais famoso da história, quando foi que a massa escolheu direito? (...) A história da democracia é a história da mediação institucional. Quando ela desaparece, abre-se caminho para o horror: terro revolucionário francês, bolchevismo, facismo...

(...)

    A esquerda e os anarquistas acreditam que a democracia é só um truque para controlar os apetites populares. Cesse toda desconfiança. É mesmo! Só estão errados numa coisinha: acreditam que as massas construiriam o céu na terra. Eu estou certo de que fariam o inferno. Como já fizeram.


Reinaldo revela um pouco de sua alma também, em textos sempre inteligentes e muito bem escritos. Ficamos sabendo que não gosta de rock e comida chinesa. Que passa a noite acordado escrevendo seus textos. Que é um católico fervoroso. O texto que lamenta a morte do poeta Bruno Tolentino mostra a dor de quem perde uma referência, de quem perde todas as obras que ainda seriam escritas.

Reinaldo Azevedo é acima de tudo um conservador. Seu livro é um sopro de esperança e de inspiração para todos aqueles que ainda acreditam em coisas como família, religião, lei e ordem. Fomos convencidos de que somos uma minoria; desconfio que não. Que um raro livro de pensamento conservador no Brasil seja uma inspiração para todos que permanecem em silêncio com medo da patrulha mais violenta de nossos dias, o politicamente correto.

Os homens só existem para que, ao fim da vida, possam honrar seus pais. Pensem nisso. Até mais tarde.

Outubro, 2008


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