Yepes e Echevarría

Antropologia Filosófica

Este não é um livro que li, é mais do que isso. É um livro que estudei ao longo de quase um ano. Enfim, de maneira nenhuma finalmente, cheguei ao final. O destino dele agora é uma prateleira especial onde guardo livros para consulta, aqueles que são minha muleta; obras que estou a todo tempo consultando em busca do entendimento do nosso mundo.

Trata-se de uma obra escrita por Ricardo Yepes e modificada posteriormente por seu colega e colaborador Javier Echevarría. Yepes era doutor em filosofia, professor de Fundamentos de Antropologia da Universidade de Navarra e faleceu em acidente de montanhismo. Echevarría também é doutor em filosofia. O livro que escreveram pode ser classificado como antropologia filosófica.

O sub-título entrega a grande finalidade da obra, apresentar as bases para um ideal de excelência humana. As fontes para o estudo são a filosofia clássica, principalmente, e o cristianismo completando as limitações da primeira. As citações de Aristóteles, Platão e Tomás de Aquino são uma constante, assim como de vários autores modernos que resgatam as obras destes pioneiros.

Yepes apresenta o homem e o modo como se relaciona com tudo a sua volta. Explica o que é a pessoa, o mundo humano, a técnica, a ciência, os valores, a verdade, a liberdade, as relações interpessoais, a felicidade, o sentido da vida, o casamento, a família, a sexualidade, a violência, a cultura, a vida econômica, a política, o tempo, a dor e a morte. Tudo centrado na figura do homem; é ele o personagem principal.

É o tipo de livro que transforma o leitor, pois mostra-lhe um mundo que nem imaginava existir; além de mostrar a si mesmo. Diante da obra destes espanhóis não dá para não pensar na frase de Sócrates: “só sei que nada sei”. E mais, que o caminho a percorrer é árduo, exigente, muitas vezes tortuoso, mas no fim a recompensa vale todo este esforço. Ser uma pessoa melhor, buscar a excelência como ser humano, eis a proposta desta obra.

Pretendo comentar vários pontos discutidos no livro neste blog, aos poucos, não é coisa para se fazer com pressa, como bem indica sua leitura. Passar batido pelo texto sem procurar absorver sua mensagem é quase que um crime, um desperdício. Indico para qualquer um que sinta que não é perfeito, muito pelo contrário. É para aqueles, como eu, que sabem que estão longe de um ideal, que admitem suas imperfeições, mas que desejam progredir. Para os que acham que sua vida lhes basta, que são perfeitamente felizes, que estão esperando apenas a recompensa por sua perfeição, nem tentem ler; não vão entender.

Este é para os que entendem o que Sócrates quis dizer ao afirmar sua ignorância.


u© MARCOS JUNIOR 2013